- Por Gabrielle Auad
O nu além das academias
é uma exposição que se encontra dentro da Pinacoteca de São Paulo com curadoria
de Ana Paula Nascimento, curadora da Pinacoteca do Estado, no segundo andar, em
um espaço fechado extenso que dentro possuem 4 salas que ligam uma com a outra.
Tem apenas uma sala que fala sobre o nu além das academias. É uma exposição
pequena, mas interessante e agradável. Ela apresentará 35 obras entre desenhos
e pinturas de maneira a explicitar a importância do nu na formação artística de
diferentes filiações.
Na primeira sala mostra
o “lugar da arte de Almeida Junior e Pedro Alexandrino na São Paulo de fim de
século”. Eles são artistas que retratam pessoas e natureza morta,
respectivamente. O trabalho de ambos caracteriza a produção de arte em São
Paulo na transição do século XIX para o XX. Estão presentes 15 obras dos
artistas que pretende extender a compreensão do percurso artístico desses
pintores. O Almeida Junior é conhecido pela série de pinturas de temática “caipira”.
E Pedro ao pintar a natureza morta não se espelhou apenas em seu gosto pessoal,
mas sim no publico consumidor.
Obra de Almeida Junior chamada Saudade, 1899. Oleo sobre tela
Na segunda sala, tem diversos
quadros de diversos artistas como Pedro Peres, Pedro Weinarter
que pintou a
obra: A fazedora de anjos em 1908; Oscar Pereira da Silva que pintou a ‘Escrava
Romana’, etc. Esta sala é caracterizada pela pintura de gênero que explica que
nos principais
centros artísticos do mundo, o final do século XIX foi marcado
pela contestação dos métodos, dos temas e, principalmente, da retorica da arte
produzida nas academias. Com isso, começou a se afirmar outro gosto: a figura
da mulher ganhou destaque e surgiu em representações de conteúdo mais erótico
como em pinturas que exaltavam a correção do comportamento feminino.
Nesta mesma sala, e na
terceira sala também, tinham obras de arte da “Arte em Dialogo” que é para
observar imagens e relacionar ideias. Todas essas obras me chamaram muito a atenção,
uma delas foi do Nelson Leirner que se chama: Variação. É um quadro composto
por vários adesivos de personagens de desenhos infantis. Podemos perceber
algumas características da sociedade do século XXI marcada pela idéia de
consumo e conectada pelos meios de comunicação. Outra foi do Leon Ferrari que
se chama: Nosotros não sabíamos. É uma colagem sobre madeira. Mais um artista
da Arte em dialogo é o Luiz Braga que compôs uma obra em uma saída digital
sobre papel que se chama Menina em Verde. Parecia uma fotografia. Era de uma menina onde
a cor verde predominava. Nesta sala também tinham obras do Benedito Calixto,
uma delas foi a “Proclamação da Republica”; Pedro Américo que pintou a “Visão
de Hamlet”.
Proclamação da Republica, 1893 - Obra de Benedito Calixto
Arte em diálogo – Obra de
Nelson Leirner chamada Variação
Arte em diálogo – Obra de
Leon Ferrari chamada Nosotros não sabíamos.
O nu começa a aparecer
e para a arte acadêmica, o corpo humano é o principal veiculo de toda a
narrativa. É por meio de gestos, posturas, expressões e atributos do corpo
humano que as qualidades morais e as atitudes que os artistas buscam veicular
na narrativa se fazem visíveis. Qualquer pessoa que almejasse ser um pintor ou
escultor deveria dominar a representação do corpo humano em todas as suas
possibilidades.
O nu além das academias
explica tudo isso sobre o corpo humano que pode ser visto como centro simbólico.
Por isso, seu conhecimento e representação foram desde o Renascimento
considerados aspectos fundamentais na formação de qualquer artista, apreendidos
principalmente a partir das aulas de modelo-vivo. Apenas depois de dominar a representação
do corpo, o artista estaria habilitado a conceber qualquer tipo de obra. Para além
das grandes academias de arte, das escolas particulares e dos ateliês de
artistas consagrados, muitos artistas debruçaram-se sobre o desenho nu como os irmãos
Bernardelli, Candido Portinari e também alunos da Escola de Belas Artes como
Anita Malfatti.
Obra de Anita Malfatti (São Paulo,
SP, 1889 – Diadema, SP, 1964) – “Nu Masculino(frente), 1915/16 - Carvão sobre papel
Sala do Nu Além das
Academias
Sala do Nu Além das
Academias
Obra de Virgilio
Mauricio chamada “L’heure du gouter (a hora da merenda), 1914”
Quando: de 15 de
outubro de 2011 a 01 de julho de 2012
Horário: Terça a
domingo das 10h às 17h30 com permanência até às 18h
Ingresso combinado (Pinacoteca e Estação Pinacoteca): R$ 6,00 e R$ 3,00
Grátis aos sábados.
Estudantes com carteirinha pagam meia entrada.
Onde: Praça da Luz, 02 - Luz
Tel. 11 3324-1000
Nenhum comentário:
Postar um comentário