segunda-feira, 12 de março de 2012

O NU ALÉM DAS ACADEMIAS


  • Por Gabrielle Auad 



O nu além das academias é uma exposição que se encontra dentro da Pinacoteca de São Paulo com curadoria de Ana Paula Nascimento, curadora da Pinacoteca do Estado, no segundo andar, em um espaço fechado extenso que dentro possuem 4 salas que ligam uma com a outra. Tem apenas uma sala que fala sobre o nu além das academias. É uma exposição pequena, mas interessante e agradável. Ela apresentará 35 obras entre desenhos e pinturas de maneira a explicitar a importância do nu na formação artística de diferentes filiações.

Na primeira sala mostra o “lugar da arte de Almeida Junior e Pedro Alexandrino na São Paulo de fim de século”. Eles são artistas que retratam pessoas e natureza morta, respectivamente. O trabalho de ambos caracteriza a produção de arte em São Paulo na transição do século XIX para o XX. Estão presentes 15 obras dos artistas que pretende extender a compreensão do percurso artístico desses pintores. O Almeida Junior é conhecido pela série de pinturas de temática “caipira”. E Pedro ao pintar a natureza morta não se espelhou apenas em seu gosto pessoal, mas sim no publico consumidor.
Obra de Almeida Junior chamada Saudade, 1899. Oleo sobre tela

Na segunda sala, tem diversos quadros de diversos artistas como Pedro Peres, Pedro Weinarter 
que pintou a obra: A fazedora de anjos em 1908; Oscar Pereira da Silva que pintou a ‘Escrava Romana’, etc. Esta sala é caracterizada pela pintura de gênero que explica que nos principais 
 centros artísticos do mundo, o final do século XIX foi marcado pela contestação dos métodos, dos temas e, principalmente, da retorica da arte produzida nas academias. Com isso, começou a se afirmar outro gosto: a figura da mulher ganhou destaque e surgiu em representações de conteúdo mais erótico como em pinturas que exaltavam a correção do comportamento feminino.

Nesta mesma sala, e na terceira sala também, tinham obras de arte da “Arte em Dialogo” que é para observar imagens e relacionar ideias. Todas essas obras me chamaram muito a atenção, uma delas foi do Nelson Leirner que se chama: Variação. É um quadro composto por vários adesivos de personagens de desenhos infantis. Podemos perceber algumas características da sociedade do século XXI marcada pela idéia de consumo e conectada pelos meios de comunicação. Outra foi do Leon Ferrari que se chama: Nosotros não sabíamos. É uma colagem sobre madeira. Mais um artista da Arte em dialogo é o Luiz Braga que compôs uma obra em uma saída digital sobre papel que se chama Menina em Verde. Parecia uma fotografia. Era de uma menina onde a cor verde predominava. Nesta sala também tinham obras do Benedito Calixto, uma delas foi a “Proclamação da Republica”; Pedro Américo que pintou a “Visão de Hamlet”.
Proclamação da Republica, 1893 - Obra de Benedito Calixto


 Arte em diálogo – Obra de Nelson Leirner chamada Variação


Arte em diálogo – Obra de Leon Ferrari chamada Nosotros não sabíamos.


O nu começa a aparecer e para a arte acadêmica, o corpo humano é o principal veiculo de toda a narrativa. É por meio de gestos, posturas, expressões e atributos do corpo humano que as qualidades morais e as atitudes que os artistas buscam veicular na narrativa se fazem visíveis. Qualquer pessoa que almejasse ser um pintor ou escultor deveria dominar a representação do corpo humano em todas as suas possibilidades.
O nu além das academias explica tudo isso sobre o corpo humano que pode ser visto como centro simbólico. Por isso, seu conhecimento e representação foram desde o Renascimento considerados aspectos fundamentais na formação de qualquer artista, apreendidos principalmente a partir das aulas de modelo-vivo. Apenas depois de dominar a representação do corpo, o artista estaria habilitado a conceber qualquer tipo de obra. Para além das grandes academias de arte, das escolas particulares e dos ateliês de artistas consagrados, muitos artistas debruçaram-se sobre o desenho nu como os irmãos Bernardelli, Candido Portinari e também alunos da Escola de Belas Artes como Anita Malfatti.

Obra de Anita Malfatti (São Paulo, SP, 1889 – Diadema, SP, 1964) – “Nu Masculino(frente), 1915/16 - Carvão sobre papel


Sala do Nu Além das Academias


Sala do Nu Além das Academias

 Obra de Virgilio Mauricio chamada “L’heure du gouter (a hora da merenda), 1914”




Obra de Flavio de Carvalho chamada “Aquarela, 1969” – guache sobre papel


Quando: de 15 de outubro de 2011 a 01 de julho de 2012

Horário: Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até às 18h

Ingresso combinado (Pinacoteca e Estação Pinacoteca): R$ 6,00 e R$ 3,00 
Grátis aos sábados.
Estudantes com carteirinha pagam meia entrada. 

Onde: Praça da Luz, 02 - Luz

Tel. 11 3324-1000



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